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Edição nº 334
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quarta-feira, 9 de Abril de 2008 No celeiro do mundo, a comida está mais caraEstá cada vez mais difícil para o trabalhador levar comida para casa. Apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo e de possuir enormes áreas de terras com potencial agrícola, no último período, o país tem registrado uma forte al
O feijão de todo dia aumentou 207,42% entre março de 2007 e fevereiro de 2008. Os números foram medidos pelo Dieese, que aponta o alimento como o grande responsável pela alta do custo de vida. A batata subiu 51,83%, o leite, 25,18%, a carne bovina, 21,63% e o leite em pó, 46,99%. São itens cujo aumento afeta diretamente o bolso e a mesa das famílias de todos os trabalhadores. Por sua vez, a Fundação Getúlio Vargas mediu um aumento de 15,65% no preço do óleo de soja apenas em janeiro e fevereiro deste ano. Em 2007, o óleo já tinha sofrido uma alta de 36%. A inflação dos alimentos (como está sendo chamada por especialistas) afeta diretamente o salário dos trabalhadores que, para conseguir comer, tem de trabalhar mais. Em São Paulo, por exemplo, a cesta básica subiu 17,9%, fechando 2007 como a mais cara do país (R$ 223,94). Na seqüência, vem Porto Alegre (R$ 216,12), seguida pelo Rio de Janeiro (R$ 214,66) e Belo Horizonte (R$ 213,48). Segundo um cálculo do Dieese, o trabalhador que ganha um salário mínimo precisou cumprir, em média, uma jornada de 102 horas e 16 minutos para comprar a cesta básica. O mesmo estudo aponta que só em São Paulo o trabalhador que recebe um mínimo teve de trabalhar quase 119 horas em março para poder comprar alimentos essenciais. De acordo com o estudo, a compra da cesta comprometeu 50,53% do rendimento destes trabalhadores. Mas por que os preços dos alimentos não param de subir? A inflação dos alimentos não está relacionada a fatores climáticos, colheitas baixas etc. Pelo contrário, todos os dados comprovam que o Brasil, ano após ano, vem quebrando recordes na produção de alimentos. O país terá, este ano, uma supersafra. Conforme a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o IBGE, serão mais de 139 milhões de toneladas. Só em soja, a estimativa é de uma colheita em torno de 60 milhões de toneladas. Já o trigo terá uma safra 71% maior. No entanto, essa produção não vai parar na mesa dos trabalhadores, pois seu destino é a exportação, abastecendo, assim, o mercado mundial. O problema dos preços dos alimentos está ligado às transformações no campo brasileiro, com o agronegócio e a especulação financeira. Os grandes produtores de alimentos não têm como objetivo alimentar o povo, mas sim conseguir lucro. Dessa forma, produzem os alimentos para exportação que se encontram mais valorizados no mercado internacional. |
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