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Edição nº 208
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quarta-feira, 2 de Março de 2005 Hora de lutarNada semelhante, em termos de ataques, foi conseguido pela burguesia antes, a não ser na ditadura
São batalhas do mundo político da burguesia. Existe um enorme distanciamento entre o "mundo dos políticos" e a vida real dos trabalhadores. A vida dura, a dificuldade para pagar os aluguéis, os salários miseráveis, o desemprego real, etc. etc. não entra no Congresso, não sobe a rampa do Planalto. Esta polarização eleitoral, além disso, esconde um grande acordo político. PT de um lado e PSDB e PFL de outro lutam pelo poder, mas têm um programa semelhante para o país. Quando chega a hora de se colocarem em acordo para explorarem ainda mais os trabalhadores, estes partidos se disfarçam de "representantes de toda a sociedade", e aplicam as reformas neoliberais impostas pelo FMI. Não é por acaso que o governo e a oposição burguesa estão apresentando em conjunto a proposta da reforma Sindical ao Congresso no início de março. Essa reforma abre já a possibilidade de aplicação da reforma Trabalhista, ou seja, a imposição do fim de direitos históricos dos trabalhadores (como as férias e décimo terceiro), pela negociação dos patrões com as direções da CUT e Força Sindical, sem necessidade de assembléias de base para impor esses acordos. Os patrões conseguiram também, nessa reforma, o questionamento claro do direito de greve, com a legalização dos fura-greves e a proibição dos piquetes. O governo naturalmente vai tentar apresentar essa reforma como um avanço, como um combate aos burocratas sindicais que nada representam. Mas não é por acaso que as direções da CUT (braço do governo no movimento) e da Força Sindical (ligada à oposição burguesa) são co-autores e beneficiários da reforma. Caso a reforma se efetive, passarão a existir no país os superpelegos, que poderão negociar em nome de todos os trabalhadores sem necessidade de qualquer consulta às bases, definirão quais sindicatos podem existir, e ainda quadruplicarão o imposto sindical extorquido aos trabalhadores. Nada semelhante foi conseguido pela burguesia brasileira antes, em termos de ataques a direitos históricos dos trabalhadores, a não ser na ditadura militar. O governo Lula, em suas relações políticas com os trabalhadores, mostra sua importância para a burguesia. Com luta, essa reforma não passará. A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) está convocando uma grande mobilização no país contra essa reforma, que vai implicar em um período nacional de explicação para os trabalhadores sobre o significado real dessa reforma, e depois mobilizações. Estarão sendo organizados atos no Primeiro de Maio contra a reforma, uma semana nacional de mobilizações em maio e uma grande marcha a Brasília no segundo semestre. É hora de lutar, de mover os sindicatos em defesa dos direitos dos trabalhadores, da liberdade de greve, da autonomia sindical. A luta está apenas começando. |
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