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segunda-feira, 16 de Abril de 2012 Vencedores e vencidos na USP
Este processo eleitoral, que registrou uma participação histórica de 13.134 votantes (superando em 70% a participação nas últimas eleições), foi marcado por uma situação política de grande polarização entre dois projetos opostos para a universidade. Por um lado, o atual reitor, João Grandino Rodas, servo fiel do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin do PSDB, partido de direita, que pretende impor um plano de privatização-elitização da USP através de uma política de perseguição e repressão-militarização contra os setores organizados dos estudantes e dos trabalhadores. Nesta linha, em setembro de 2011, Rodas firmou um convênio que permitiu a presença permanente da Polícia Militar (PM) dentro da USP. Por outro lado, enfrentando estes planos e medidas, está o movimento estudantil e social, que defende decididamente a histórica bandeira da educação pública, gratuita, universal, democrática e de qualidade. Este processo político na USP, do qual as recentes eleições para o DCE foram parte expressiva, merece o interesse do conjunto do movimento estudantil e da esquerda internacional. Não apenas porque a USP é a maior universidade do Brasil e da América Latina, mas, centralmente, porque no marco do enfrentamento violento que ali se desenvolve, surgem e intervêm, dentro do movimento estudantil, as mais diversas correntes políticas, em um amplo leque que vai desde a extrema direita até a extrema-esquerda. Neste sentido, as eleições estudantis puseram à prova esta variedade de organizações, com suas respectivas estratégias e métodos políticos. E, como em todo processo político, tivemos vencedores e vencidos. Os números das eleições Primeiro, os competidores políticos e seus resultados. A vitória foi para a chapa "Não vou me adaptar!" composta por militantes do PSTU, do MES e do CSOL (correntes internas do PSOL), com 6964 votos (53%). O segundo lugar ficou para a chapa "Reação", que responde ao PSDB, com 2660 votos (20%). Na terceira posição ficou a chapa "Universidade em Movimento", impulsionada pela APS (corrente majoritária do PSOL); junto com a governista Consulta Popular e o stalinista PCR, com 2579 votos (19%). O quarto lugar ficou para a chapa 27 de Outubro, integrada por militantes da LER-QI, PCO, POR, Praxis e setores anarquistas, que conseguiu coletar 503 votos (4%). Em último lugar ficaram os governistas do PT e do PCdoB, que atuaram pela chapa "Quem vem com tudo não cansa", com 254 votos (2%). Uma vitória política do movimento estudantil O principal vencedor desta eleição é, sem sombra de dúvida, o movimento estudantil brasileiro, que impôs uma importante derrota política ao nefasto projeto privatizante, elitista e repressor impulsionado por Rodas, pelo PSDB e pelos poderosos meios de comunicação da burguesia. O reitor Rodas e o PSDB de Alckmin competiram diretamente nestas eleições através da chapa "Reação". Esta chapa, apesar de sua provada relação com o PSDB, apresentou-se como uma chapa "apartidária", apoiando-se naqueles setores mais conservadores e elitistas dos estudantes, desenvolvendo um discurso claramente contrário às mobilizações e lutas dos estudantes (o lema de sua campanha era "Pelos estudantes, contra a greve"), ao mesmo tempo em que expressavam apoio aberto à totalidade da política de Rodas, incluindo a presença da PM dentro da USP. O surgimento da chapa de direita foi parte da ofensiva que Rodas-PSDB estão levando adiante na USP. Apesar dos ataques à gratuidade, à autonomia e às liberdades democráticas na USP sempre terem existido, com maior ou menor força, desde o segundo semestre de 2011 se configura uma grande ofensiva com o objetivo de desmantelar e impor uma derrota histórica ao movimento estudantil e aos demais setores organizados da universidade. Rodas e o PSDB entendem que, para poder entregar a USP nas mãos do setor privado e colocar a universidade inteiramente a serviço das multinacionais, precisam desmoralizar e derrotar o movimento estudantil e os setores sindicais combativos. Isto explica que, entre outros fatos, atualmente existam 73 companheiras e companheiros inicialmente presos e agora processados judicialmente devido à desocupação brutal de uma ocupação estudantil, executado por um efetivo de mais de 400 policiais dentro do prédio da universidade (novembro de 2011). Em outra invasão da PM, efetuada em pleno feriado de carnaval para desalojar a ocupação de um andar do Conjunto Residencial da USP (CRUSP), conhecida como a "moradia retomada", 12 pessoas foram presas, entre elas uma menor de idade e uma companheira grávida (fevereiro de 2012). Outros 6 companheiros foram expulsos (dezembro de 2011) por participar da mesma ocupação. No contexto de uma situação de perseguição, atualmente existem 26 estudantes, além de vários professores e dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP), que passam por processos administrativos internos devido à atividades relacionadas com as lutas. Outro ataque frontal ao movimento estudantil foi o episódio de um policial ter apontado uma arma de fogo no rosto de um estudante negro no próprio prédio do DCE (janeiro de 2012). Neste cenário, de restrição das mais elementares liberdades democráticas na USP, consolida-se o acordo entre Rodas e a PM, sendo nomeado recentemente um ex-coronel desta instituição repressora como chefe de segurança da USP. No marco de um ataque generalizado, era impossível que o controle do DCE não estivesse nas aspirações de Rodas-PSDB. Foi entendendo o processo global e este último em particular, que se conformou uma ampla unidade de setores de esquerda, materializada na chapa "Não vou me adaptar!". O centro programático desta chapa foi a defesa, na USP, de uma universidade pública, gratuita, autônoma e democrática. A chapa vencedora foi apoiada, por compartilhar seus objetivos políticos, pela ANEL e por outras organizações estudantis de diferentes estados do Brasil. Esta unidade foi determinante para uma contundente vitória contra Rodas, onde 80% dos estudantes que participaram rechaçaram sua chapa. Foi determinante conformar e fortalecer nas bases, com uma tremenda e incansável campanha militante que percorreu toda a USP, um polo de atração contra Rodas-PSDB-PM, para manter o DCE como um instrumento democrático para a luta dos estudantes, independente da reitoria e do governo. A derrota do governismo Infelizmente, nem todos os setores que se reivindicam de esquerda ou, como mínimo, que diziam se opor à Rodas, compreenderam a importância da unidade de enfrentá-lo. Os estudantes, que queriam acertar as contas com o reitor e seus planos, também acertaram contas com estes setores. A chapa do PT e do PCdoB, completamente ligada ao governo Dilma e à política governista da UNE, tiveram uma votação ínfima. A Consulta Popular, movimento político vinculado ao MST, em aliança com a APS [1], corrente majoritária na direção do PSOL, e o stalinista PCR [2], através da chapa "Universidade em Movimento", centraram seus ataques com um discurso similar ao da chapa "Reação" no que se refere ao apartidarismo, contra a chapa "Não vou me adaptar!". Sua política priorizou criticar o suposto autoritarismo do movimento estudantil, relegando a questão central de combater a reitoria e a chapa "Reação", apresentando um programa que era quase uma "versão crítica" do programa da direita. Certamente, se estes setores tivessem centrado forças em torno do combate contra a chapa do reitor, a derrota da direita poderia ter sido ainda mais estrondosa, por mais de 10 mil votos, desmoralizando-a e dificultando em muito sua eventual recomposição. Os generais sem exército< |
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