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terça-feira, 13 de Setembro de 2011 Filmografia básica: O cinema e o "11 de setembro" chilenoClique nos links para assistir os filmes
A explosão das Torres Gêmeas, em um 11 de setembro, há dez anos, de certa forma tem ofuscado uma tragédia de proporções ainda maiores que se abateu sob o Chile, na mesma data, mas há 38 anos: o golpe promovido pelo general Augusto Pinochet.Esse fato e suas implicações ideológicas, evidentemente, não passaram desapercebidos para os que mantém um olhar mais atento ao mundo e um dos primeiros a resgatar a relação entre as duas datas foi o cineasta Ken Loach que, em 2002, estabeleceu uma provocativa aproximação entre os dois "11 de setembro" num curta-metragem que faz parte do filme 11'09"11, que reúne onze diretores, de países diferentes, que produziram filmes de exatos 11 minutos, em torno dos atentados de 2001. No belíssimo curta, um homem lê uma carta para o povo americano, lamentando o ocorrido; mas pedindo a este que se lembre do outro "11 de setembro"; aquele que foi patrocinado pelo governo norte-americano e que provocou a morte de mais de 30 mil pessoas, além do exílio de milhares de outras, como o próprio leitor. Assim, no filme, a solidariedade do chileno às 3.500 vítimas "11 de setembro" norte-americano ecoa como um grito de dor e um balanço, ao mesmo tempo, lúcido e amargo dos muitos atentados à liberdade cometidos pelos governos ianques e que, em última instância, transformaram o povo dos EUA em alvos do ódio de muitos. O filme de Loach é um ótimo ponto de partida para resgatarmos algumas obras cinematográficas que, no decorrer das últimas 40 décadas, têm ajudado a manter na memória a luta e história dos milhares que foram torturados e mortos por uma das mais sanguinárias ditaduras da América Latina. Filmes que merecem ser conhecidos ou revisitados, até mesmo para entender como estas duas datas continuam se "encontrando", seja nas ruas de Santiago, atualmente sacudidas pelas mobilizações estudantis, seja em qualquer outro lugar do mundo onde ainda se lute contra a exploração e opressão imperialistas, muitas vezes levada à cabo com a ajuda de canalhas e vermes como Pinochet, Médici, Videla e tantos outros ditadores que infestaram nosso continente. Dos filmes da "Unidade Popular" ao Cinema do Exílio A Frente Popular encabeçada por Salvador Allende também teve uma expressão cinematográfica. Ou seja, entre o final dos anos 1960 e início dos 70, muitos dos filmes produzidos refletiam uma perspectiva antioligárquica ou anticapitalista apoiada numa visão política que tinha no horizonte a "conciliação de classes". Assim como em outros países da América Latina, que também atravessavam processos similares, esta situação deu origem a um movimento, conhecido como "Nuevo Cine Chileno", que tinha entre seus principais nomes como Raúl Ruiz (Três tigres tristes) e Miguel Littin (El chacal de Nahueltoro, de 1969, sobre a marginalização dos trabalhadores do campo) e Helvio Soto (Caliche sangriento) e como principal característica a produção de curtas, documentários e longas de ficção que refletissem as contradições sociais, econômicas e políticas daquele momento e, também, se contrapor ao monopólio que a oposição burguesa detinha sobre os meios de comunicação. Cabe destacar também que, neste momento, o aprofundamento da ditadura brasileira fez com que muitos daqui buscassem exílio (pessoal, político ou profissional) no país andino. Este foi o caso de cineastas e atores como Leon Hirszman, Lauro Escorel Filho, Luiz Alberto Sanz, Sérgio Sanz, Helvécio Ratton, Silvio Tendler, Affonso Beato, Glauber Rocha, Carlos Diegues e Norma Bengell e outros. Com a eclosão do golpe, o setor foi literalmente devastado. Para além das prisões e mortes de centenas de profissionais, houve um massivo exílio de cineastas e técnicos, arquivos e cinematecas foram saqueados e incendiados e aqueles que se arriscaram a continuar produzindo no país foram submetidos a uma rigorosa censura. É esta situação que dá origem ao "Cinema Chileno no Exílio". Primeiro como uma forma de denúncia do golpe, depois, até o início da década de 1990, como única possibilidade, para os profissionais do cinema chilenos, em refletir sobre seu próprio país. Um filme, particularmente, marca a transição entre estes dois momentos: a impressionante trilogia "A batalha do Chile", dirigida por Patrício Gúzman e finalizada em Cuba. Dividido em três partes, o documentário foi realizado no "calor do momento", por Guzmán (que, poucos dias depois do golpe, chegou a ser preso no famigerado Estádio Nacional, mas foi libertado sem nenhuma explicação) e seu diretor de fotografia, Jorge Müller Silva, a quem o filme é dedicado, já que não teve a mesma "sorte" de Guzmán e até hoje integra a lista dos "desaparecidos". A primeira parte, A Insurreição da Burguesia, traça um panorama dos primeiros anos de governo e a organização da oposição de direita. O filme termina com uma das cenas mais impactantes da história do "cinema político": um cinegrafista filma seu próprio assassinato, ao ser baleado por um oficial do exército, enquanto cobria uma das primeiras investidas militares. A Batalha do Chile - Parte 1 - A Insurreição da Burguesia A segunda parte, O Golpe de Estado (também finalizada em 1975), transmite a angustiante situação do golpe através da situação do próprio Guzmán que se encontra "preso" em um apartamento, acuado, impotente, apenas vendo na TV e ouvindo pelo rádio os últimos momentos de Allende. Já a terceira parte, O Poder Popular (de 1979), funciona mais como um apêndice, mostrando como os trabalhadores se organizaram para manter vivo o ideal do lema "criar, criar, poder popular." No Brasil, o DVD de "A batalha do Chile" foi lançando com um quarto disco, que traz outro importante documentário, A Resistência Final de Salvador Allende, de 1988, dirigido por Patricio Henríquez, e que reúne depoimentos de testemunhas sobreviventes do ataque ao Palácio de La Moneda. Enquanto elas contam como foi como foi o ataque, na manhã de 11 de setembro de 1973, imagens de arquivo e trechos de transmissões radiofônicas de Allende e dos oficiais das Forças Armadas reconstituem os acontecimentos que precederam o golpe. Apesar da força, de "A batalha do Chile", em termos internacionais o primeiro filme a realmente chamar a atenção para a situação chilena foi o excelente "Chove sobre Santiago", (dirigido por Helvio Soto, em 1979, numa co-produção entre França e Bulgária, 1976). O título é uma referência ao nome dado à operação montada pela direita chilena, as Forças Armadas de Pinochet, a Central de Inteligência Americana (CIA) e ditadores de outros países latino-americanos (que, no decorrer dos anos 70 criaram a malfadada Operação Condor, para combater e eliminar a esquerda do continente). De forma realmente vigorosa, o filme retrata a preparação e o momento do golpe, dando ênfase à participação norte-americana e reproduzindo vários documentos que comprovam isto, como uma carta, de 1970, do então embaixador dos Estados Unidos em Santiago, E. Ko
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A explosão das Torres Gêmeas, em um 11 de setembro, há dez anos, de certa forma tem ofuscado uma tragédia de proporções ainda maiores que se abateu sob o Chile, na mesma data, mas há 38 anos: o golpe promovido pelo general Augusto Pinochet.
No Brasil, o DVD de "A batalha do Chile" foi lançando com um quarto disco, que traz outro importante documentário, A Resistência Final de Salvador Allende, de 1988, dirigido por Patricio Henríquez, e que reúne depoimentos de testemunhas sobreviventes do ataque ao Palácio de La Moneda. Enquanto elas contam como foi como foi o ataque, na manhã de 11 de setembro de 1973, imagens de arquivo e trechos de transmissões radiofônicas de Allende e dos oficiais das Forças Armadas reconstituem os acontecimentos que precederam o golpe.
De forma realmente vigorosa, o filme retrata a preparação e o momento do golpe, dando ênfase à participação norte-americana e reproduzindo vários documentos que comprovam isto, como uma carta, de 1970, do então embaixador dos Estados Unidos em Santiago, E. Ko









