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segunda-feira, 1 de Agosto de 2011 Trabalhadores da Cultura realizam ato em São Paulo e deixam sede da FunarteOcupação da sede da Funarte foi um marco na história da luta dos trabalhadores da arte. Apesar de seu fim, a mobilização continua
Durante a semana que se passou, o Portal do PSTU acompanhou momentos da ocupação e entrevistou alguns de seus participantes e apoiadores. Longos ensaios e um roteiro para a luta O técnico teatral e ativista do Coletivo de Artistas Socialistas (CAS), Carlos Ricardo diz que, para traçar a história da ocupação atual, é preciso lembrar vários episódios e atos anteriores. "Os marcos deste movimento são muitos. A ocupação da Funarte há dois anos, a briga com a Prefeitura de São Paulo a cada edição do Edital de Fomento ao Teatro na Cidade e a realização do Congresso Brasileiro de Teatro, em março de 2011, em Osasco, que contou com a presença da ministra da Cultura, Anna de Holanda, que não disse coisa com coisa". O lamentável desempenho de Anna de Hollanda no Congresso de Osasco foi, literalmente, a gota d´água. Depois disso, diversos grupos e coletivos culturais do estado de São Paulo nas áreas de teatro, dança, música, circo, vídeo e outros segmentos da arte passaram a tabular conversas e discutir alguma ação que pudesse dar forma para a crescente indignação do setor. O primeiro fruto destas articulações foi a sistematização das principais reivindicações do setor, que foram apresentadas no manifesto que foi construído pelos grupos, que passaram a se denominar "Movimento dos Trabalhadores da Cultura" (MTC). Em face aos ataques neoliberais e em defesa de políticas realmente públicas para a arte e a cultura, o MTC exigia: a) Programas estabelecidos em leis com orçamentos próprios, que estruturem uma política cultural contínua e independente; b) Imediata aprovação da PEC 236, que prevê a cultura como direito social; c) Imediata aprovação da PEC 150, que garante que o mínimo de 2% (40 bilhões de reais) do orçamento geral da União seja destinado à Cultura (hoje, são destinados apenas 0,2%) d) Imediata publicação dos editais de incentivo cultural que foram suspensos; e) Descontingenciamento imediato da pequena verba destinada à Cultura. O descaso, sucessivos abusos e "provocações" por parte do governo federal foram mais uma vez demonstrados exatamente através do "contigenciamento". Em 2011, o desvio do dinheiro público para outros setores (leia-se o pagamento das dívidas pública e privada) significou um corte de 2/3 de sua verba anual: de 0,2% (ou 2,2 bilhões de reais), foi para 0,06%, ou 800 milhões de reais. Pouca paciência, mas muita criatividade e disposição de luta A falta de resposta às reivindicações, ou o que os ativistas passaram a chamar de "política dos reunismo´ e dos cafezinhos em gabinetes" que nunca resultavam em nada concreto, foi gradualmente esgotando a paciência dos integrantes do movimento. E foi isto que levou 300 deles a ocupar a Funarte, depois de um ato realizado no dia 25 de julho, organizado sobre o lema "É hora de perder a paciência!". A partir daí, o que se viu na Funarte foi um verdadeiro "espetáculo", no melhor sentido da palavra: uma celebração pública e um "exercício de representação" sobre a própria vida e o mundo em que vivemos. Foi assim que, durante seis dias, a Funarte serviu como um "palco" por onde passaram milhares de artistas, de distintas gerações (apesar de, na sua enorme maioria, serem jovens); músicos, dançarinos, atores, diretores e técnicos, que compunham (como pode ser visto nos vários vídeos produzidos no local e distribuídos em sites como o culturaja.com) sempre um elenco marcado pelo respeito à diversidade (racial, sexual e estética), mas sempre unidos na defesa aguerrida e festiva da arte e da cultura independentes. Artistas que, a todo momento, transformavam sua própria arte em instrumentos de discussão e luta, através de encenações e manifestações artísticas das mais diversas, improvisadas ou preparadas coletivamente (mesclando gente de diferentes grupos, gêneros e estilos) nas longas noites e dias de vigília. Gente que aprendeu a transpor o fazer coletivo típico da produção artística independente para organização de comissões que cuidaram de todos os aspectos do cotidiano de centenas de pessoas, da alimentação à segurança, passando pela preservação do próprio espaço (que, por ser público, afinal é tanto deles quanto nosso) e pela organização de um sem número de atividades "estético-políticos". Jovens artistas que souberam reconhecer que sua luta tem história e já foi travada por tantos outros e, por isso mesmo, estamparam por todas as paredes os nomes de gente de teatro como Gianfrancesco Guarnieri, Augusto Boal, Lélia Abramo, Cacilda Becker, Solano Trindade, Abdias Nascimento e Reinaldo Maia. Nomes que "brilhavam" lado a lado com os de Zumbi dos Palmares, Luiza Mahin e personagens de tantas outras lutas e histórias. Trabalhadores da Cultura e da Arte que se apropriaram dos mecanismos da classe a que pertencem (a assembléia democráticas e legitimadas por todos, a formação de comissões e a divisão igualitária de tarefas) para tomar decisões e resolver suas divergências. Lutadores que também, em nenhum momento, se esqueceram da essência de sua própria luta: a defesa por uma arte e uma cultura livres, de qualidade e sintonizadas com o mundo em que vivemos. E, para refletir sobre isso, chamaram seus "mestres" para atividades de formação cotidianas, por onde passaram "teóricos-artistias-militantes", como a professora Iná Camargo, Sérgio Camargo (da Cia. Do Latão) e César Vieira (do "União e Olho Vivo"). A quebra da quarta parede Na linguagem do teatro, a "quarta parede" é a divisão imaginária que se estabelece entre os artistas no palco e a platéia, durante a representação da peça. Na história do Teatro, muitos foram os representantes das chamadas "vanguardas artísticas", como Bertold Brecht, que teorizaram e colocaram em prática um teatro que rompesse com esta "parede". E foi exatamente isto que o "Movimento dos Trabalhadores da Arte" fez durante estes seis dias: quebrou a "quarta parede" que o próprio sistema tenta levantar entre a produção artística independente e a sociedade. E o fizeram com maestria e em momentos de comovente beleza. Primeiro, convidando para o "centro do palco" a própria sociedade, através de seus representantes mais legítimos: dos atores de rua e populares aos representantes dos movimentos sociais. Assim, por lá passaram Gilmar Mauro, do MST; representantes das "Mães da Praça de Maio"; organizações e ativistas dos movimentos negros, LGBT e feminista; entidades estudantis e sindicais, como a Assembléia Nacional dos Estudantes - Livre (ANEL) e a CSP-Conlutas. Tratados como "companheiros" e parceiros de uma mesma luta, entidades como a CSP-Conlutas, através principalmente de sindicatos como o dos Servidores Federais (Sindsef) e do Judiciário (Sintrajud) demonstraram sua solidariedade de forma ativa, doando parte dos alimentos que foram consumidos no decorrer da ocupação. Segundo, chamando atenção, a todo momento, para o fato de que a luta não poderia e nem deveria se restringir aos muros da Funarte. Apresentando-se sempre como "indignados" como os jovens de Madrid; lembrando a cada minuto que ali, na forma e no conteúdo, reproduziam-se cenas protagonizadas pela juventude árabe, chilena e de tantos outros cantos do mundo. Uma consciência que fez com que os manifestantes também dessem uma lição de solidariedade de classe, quando, no dia 29 de julho, respeitando uma deliberação da assembléia realizada na noite anterior, saíram ao enco |
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