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quinta-feira, 16 de Junho de 2011 "Estamos Juntos": medo, solidão e luta na cidade grandeToni Venturi, diretor de "O Velho", sobre Prestes e "Cabra Cega", volta com novo filme![]() Cartaz de divulgação
O filme traz a visão do diretor , conhecido com o documentário "O Velho", sobre São Paulo, pano de fundo e ao mesmo tempo o fio condutor de várias histórias que se entrelaçam, tendo ao centro a protagonista interpretada por Leandra Leal. Carmem é uma jovem médica residente, vinda do interior do Rio de Janeiro e com uma promissora carreira no horizonte. Tem como único amigo um conterrâneo, o DJ Murilo, um jovem gay e playboy interpretado por Cauã Reymond. Os dois vão encenar uma insólita disputa amorosa pelo jovem músico Juan (Nazareno Casero), um argentino canastrão erradicado na capital paulista. A trama, porém, se complexifica quando Carmem, num trabalho voluntário de prevenção a doenças, se envolve com um movimento de sem-teto (MSTC), quase ao mesmo tempo em que descobre um sério problema de saúde. E assim, camada sobre camada, Venturi desfia uma história sobre a solidão em meio à multidão da metrópole, sobre o medo, e transformações, tantos pessoais como sociais. Dois mundos Muitos viram em "Estamos Juntos" uma espécie de amálgama entre dois filmes antecessores de Toni Venturi: "Cabra Cega", um longa de 2004 sobre o drama de um guerrilheiro na época da ditadura, tendo que se esconder por um longo período num pequeno apartamento (inspirado na história real de Carlos Eugênio Paz, ex-dirigente da ALN). E "Dia de Festa", documentário produzido no ano seguinte sobre ocupações urbanas em São Paulo. Nesse documentário, Venturi e equipe acompanham o Movimento Sem Teto do Centro em ocupações de prédios abandonados em São Paulo. Agora, porém, ao invés da claustrofobia do "aparelho" no regime militar, temos a solidão e o isolamento em meio à opressora megalópole. No lugar dos guerrilheiros, ativistas sem-teto, na maioria mulheres, que lutam ao mesmo tempo em que cuidam dos filhos e da família. Sai as forças de repressão do Exército, entra a Tropa de Choque da Polícia Militar. E se por um lado as atuações de Leandra Leal e, surpreendentemente, Cauã Reymond são notáveis, por outro os sem-tetos e o movimento por moradia não são retratados de forma estereotipada ou preconceituosa. Venturi informa em seu blog que a equipe de filmagem, junto a um grupo de sem-tetos, chegou a ocupar de verdade um prédio abandonado a fim de conferir veracidade às imagens. A polícia apareceu e reprimiu também de verdade, prendendo dois atores. Alguns críticos torceram o nariz para o que consideraram excesso de tramas e cenários. Como se a história estivesse bem apenas quando circunscrita ao moderno triângulo amoroso, ou, nas palavras de um crítico da Folha de S. Paulo, "sensível, simpático e envolvente". Porém, continua o mesmo jornalista, "quando adiciona uma dramática invasão de prédio paulistano, peca pelo excesso". O "estranhamento" aqui não é difícil de entender. O cara compra um ingresso para ver um típico drama de classe média e dá de cara, no meio do filme, com militantes sem-teto, como que "invadindo" e ocupando o seu espaço e conforto. A entrada do movimento popular em cena, porém, cumpre um papel na trajetória da personagem que nem o trabalho, os amigos, ou a família foram capazes de cumprir. Mas claro que isso o sujeito da Folha nunca iria entender. Ficha Técnica Brasil , 2011 - 111 minutos Drama Direção: Toni Venturi Roteiro: Hilton Lacerda Elenco: Leandra Leal, Cauã Reymond, Nazareno Casero, Débora Duboc, Dira Paes, Sidney Santiago, Erika Ribeiro, Luiza Micheletti |
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