terça-feira, 10 de Março de 2009

Grupo Trabalhadores da Arte apresenta ‘Foices, Facões, Fuzis´

Cena do espetáculo

Carlos Sagra

A peça Foices, Facões, Fuzis estará em cartaz no Tendal da Lapa de 14 de março a 26 de abril, aos sábados e domingos, às 19h. A peça de Maria Cecília Garcia foi apresentada no dia 28 de fevereiro na comemoração de aniversário da Ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos (SP).

O Tendal da Lapa fica na rua Constança, 72, próximo ao nº 1.100 da rua Guaicurus. A entrada é Franca, e a peça integra a Campanha "Pague Quanto Quiser".

A peça Foices, Facões, Fuzis fala da luta pela terra no Brasil. A peça tem uma hora de duração e transcorre em cenário único: a casa da agricultora Antonia e seus filhos, uma família que vive sob a constante ameaça por parte dos fazendeiros. Eles armam seus capangas até os dentes para defender a propriedade privada da terra, atirando naqueles que ousam desafia-los.

A peça é inspirada na obra de Bertold Brecht, Os Fuzis da Senhora Carrar, peça que trata da luta contra o fascismo na Espanha. Quando escreveu Os Fuzis da Senhora Carrar, Bertold Brecht queria falar da luta dos povos em defesa da democracia contra o fascismo. Para isso, enfocou os dramas de uma mulher que perdeu o marido nas Brigadas de autodefesa contra o exército de Franco durante Guerra Civil Espanhola de 1936 e cujo filho está prestes a tomar o mesmo caminho.

Foices, Facões, Fuzis, esta adaptação da peça de Brecht, trata da luta que ocorre no campo brasileiro pela posse da terra. Os dramas podem não ser os mesmos, mas são muito semelhantes. Bem como as opções, as escolhas e as dores que elas provocam em nós. Brecht queria falar de um ser humano inserido em um campo de forças bem definido: ou vai à luta e arrisca a vida, ou se cala. Mas não existe neutralidade: calar-se também pode significar a morte.

Na luta pela reforma agrária também não há opção. É o que mostra os exemplos de Chico Mendes, Doroty Stang, o massacre em Eldorado dos Carajás. Quem se mantém calado, com os braços cruzados, arrisca-se a ter de suportar uma vida sofrida de sem terra.

Com a peça Foices, Facões, Fuzis o grupo Trabalhadores da Arte quer proporcionar um momento de emoção ao espectador e, ao mesmo tempo, fazer uma reflexão artística sobre a importância da reforma agrária no Brasil, sobre as contradições em que se debatem os trabalhadores sem-terra entre ocupar terras para poder plantar e criar seus filhos com dignidade, ou viver à míngua, como nômades famintos por este país afora.

Vive-se uma permanente guerra civil no campo brasileiro. De um lado, os trabalhadores sem terra, bóias-frias, camponeses pobres. De outro, grandes fazendeiros, latifundiários e empresas multinacionais, proprietários de imensas extensões de terra. Os dramas gerados por essa situação de extrema desigualdade na distribuição de terra, as dores e alegrias da vida dos trabalhadores do campo, a solidariedade, o amor familiar, os conflitos de consciência, tudo isso conforma a matéria-prima desta peça.

Sobre o grupo
O Grupo Trabalhadores da Arte surgiu a partir de um Grupo de Estudos de Brecht, coordenado pela professora Lucia Capuani, que se reuniu semanalmente no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, durante o ano de 2008. Também surgiu a partir do CAS (Coletivo de Artistas Socialistas), que congrega artistas de todas as áreas para debater o papel da arte na transformação do mundo. O grupo reúne artistas já experientes e outros recém-formados em cursos de artes cênicas, com o objetivo de mesclar experiências e expressar artisticamente as suas discussões estéticas.

A grande preocupação do grupo é falar de nosso presente, de nosso aqui e agora, para um público ansioso por conhecer sua realidade não apenas pelos dados fornecidos pelos jornais e livros, pela ciência e pela política, mas também pelos canais por meio dos quais o homem, durante milênios, tem tentado compreender a vida: a arte.


FICHA TÉCNICA
O grupo Trabalhadores da Arte: Cléo Moraes, Natália Sanches, Denis Snoldo, Cristiano Nery, Eduardo Mancini, Bárbara Kanashiro, Marla O´Hara e Rozanna Lazzaro.

Escrita e dirigida por Maria Cecília Garcia
Preparação corporal: José Carlos Freyria
Trilha sonora: Ed Lacosta
Cenários e figurinos: criados pelo próprio grupo
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