quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Forte greve no metrô de São Paulo faz governo Alckmin recuar e arranca conquista

Trabalhadores do metrô fazem greve histórica e desmascaram governo paulista

Assembleia que determinou o fim da greve

Sindicato dos Metroviários -SP

Após uma forte greve que durou cerca de 15 horas e que praticamente parou o metrô de São Paulo desde as 0h desse dia 23, a direção da empresa e o governo de São Paulo finalmente recuaram da intransigência que marcava as negociações e, durante reunião de conciliação no TRT, avançaram nas propostas aos trabalhadores.

Embora considerassem a proposta ainda muito insuficiente diante das reivindicações, os metroviários reconheceram o recuo diante da força do movimento. “A proposta da empresa não é a melhor, ainda é muito insuficiente, mas é um conquista e isso não porque Alckmin gosta dos metroviários, mas é o resultado da nossa luta”, afirmou Altino de Melo Prazeres, presidente do sindicato dos metroviários.

Entre as medidas aprovadas pelos metroviários estão o reajuste de 6,17% nos salários (reposição de 4,15% e aumento real de 1,95%), Vale Alimentação de R$ 218 (era de R$ 150, reajuste de 45,3%), Vale Refeição de R$ 23 (era de R$ 19,88, reajuste de 21% ). Já o adicional de periculosidade pago aos seguranças e funcionários da bilheteria subiu de 10% para 15%.

Altino destacou a ampla adesão à greve: “Foi uma das maiores greves de todos os tempos, parando 100% dos operadores de trens e inclusive funcionários de setores que não costumam aderir”, afirmou. A última greve havia sido em 2007

Governo Alckmin mostra a sua cara
Além de quebrar a intransigência da direção do metrô, a greve dos metroviários mostrou a verdadeira cara do governo paulista. Durante a campanha salarial, o sindicato dos metroviários reafirmou que, caso o governo e a empresa aceitassem liberar as catracas para a população, os funcionários trabalhariam normalmente. O desafio do sindicato, porém, foi rejeitado pela direção do metrô e o governador Geraldo Alckmin, que preferiram prejudicar milhões de trabalhadores.

Além de não aceitar a liberação das catracas, o governo foi responsável por imagens grotescas, como a da Polícia Militar reprimindo a população revoltada na estação Itaquera. Centenas de usuários se indignaram com o não funcionamento do metrô e fecharam a Radial Leste gritando “o povo na rua/Geraldo a culpa é sua”, antes de serem dispersos e agredidos por balas de borracha e gás lacrimogêneo.

Com o caos instalado na cidade, o sindicato reafirmou a proposta de liberação das catracas, mas o governo se manteve intransigente. A direção da empresa colocou os supervisores para trabalhar e tentar furar a greve, mas o máximo que conseguiu foi abrir algumas estações mais centrais.



Exemplo de força dos trabalhadores
Os metroviários enfrentaram a truculência do governo paulista, a pressão da direção da empresa e a manipulação sistemática de grande parte da imprensa para protagonizarem uma greve histórica. Mobilização que trouxe à luz não apenas as reivindicações dos funcionários do Metrô, mas a situção precária do transporte público.

“Colocamos em pauta a nossa luta em defesa da revitalização do setor metroferroviário no país, nossa luta contra a superlotação do metrô de São Paulo, que faz com que a população seja transportada como sardinha em lata”, disse Altino durante a assembleia que determinou o fim da greve. O presidente da entidade ponderou ainda que a luta não termina aqui, mas prossegue, inclusive contra a privatização no Metrô e pela equiparação salarial, reivindicação histórica da categoria.

A vitoriosa greve no metrô de São Paulo deve ainda ser um alento às greves que ocorrem hoje, especialmente a dos trabalhadores da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) que estão parados em Belo Horizonte, João Pessoa, Maceió, Natal e Recife. A greve da CBTU ganhou a solidariedade dos metroviários de São Paulo. “Não mporta se é um governo do PSDB ou do PT, atacou os direitos dos trabalhadores aqui ou em qualquer outro lugar, nós vamos defendê-los”, disse Altino.


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